SÉCULO SINISTRO (2014)

Quase 35 anos de Crucificados Pelo Sistema (1984), um clássico álbum punk de uma das mais importantes, influentes e fundamentais bandas de som pesado no Brasil, os Ratos de Porão até hoje estão entre as maiores referências, já que atravessaram três décadas de existência e resistência seguindo firmes e fortes como a mais bem sucedida da cena que fizeram parte nos anos 80.

Com uma discografia que ultrapassa 12 discos de estúdio sempre expelindo toda a fúria contra o sistema é rompendo as barreiras do punk/hardcore broches desde quando arriscaram ligações com o metal no início dos anos 90, a banda se encontra em melhor fase.
Atualmente formada por Jão (guitarra), João Gordo (vocal), Boka (bateria) e Juninho (baixo), os Ratos passaram por um hiato de oito anos e, em 2014, eu abro a nossa nova coluna “DISCOS’ com esse incrível “Século Sinistro”, gravado e mixado em formato analógico com produção assinada por Jean Dellabella (ex-Sepultura) e a própria banda.

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Capa de “Século Sinistro” (Foto: Reprodução)

Eleito o 7° melhor disco nacional pela Rolling Stone, reflete veemente seu título em 13 faixas (12 autorais e 1 cover) recheadas de fúria, energia, guitarras rápidas e ótimos riffs sob letras sempre muito reflexivas mantendo a temática nos problemas atuais como em “Conflito Violento” – faixa que abre o disco relatando a violência policial contra manifestantes nos atos contra o governo em 2013 quando o povo achava ter “acordado” -; “Puta, Viagra e Corrupção”; “Pra Fazer Pobre Chorar”; “Viciado Digital” e críticas as desgraças que acontecem por aqui em “Jornada Para O Inferno”; “Prenúncio Das Trevas” – em uma analogia a situação precária dos presídios brasileiros – e “Stress Pós-Traumático”.

O cover de “Progeria Of Power” da banda punk sueca ANTI-CIMEX e as participações: Moyses Kolesne (Krisiun) no solo de “Neocanibalismo” – trazendo a tona as influências do metal que moldou a sonoridade desde Anarkophobia (1991) – e, em “Sangue & Bunda” o destaque especial são os guturais de Atum, o porquinho de estimação de João Gordo.

FAIXAS:

1. “Conflito Violento” 3:20
2. “Neocanibalismo” 2:42
3. “Grande Bosta” 3:15
4. “Sangue & Bunda” 2:13
5. “Século Sinistro” 1:47
6. “Jornada Para o Inferno” 3:20
7. “Prenúncio de Treta” 2:46
8. “Stress Pós-Traumático” 3:01
9. “Viciado Digital” 2:15
10. “Boiada Pra Bandido” 3:24
11. “Progeria Power” 1:10
12. “Puta, Viagra e Corrupção” 2:20
13. “Pra Fazer Pobre Chorar” 2:26

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MATANZA ANUNCIA O FIM DAS ATIVIDADES

“ERGAM SEUS COPOS POR QUEM VAI PARTIR”. Foi assim que, no inicio deste mês, a banda Matanza iniciou um comunicado em suas mídias sociais sobre o fim das atividades após um árduo trabalho de 22 anos ininterruptos, 07 discos de estúdio, shows por todo o país e passagem por grandes festivais como Rock in Rio e Lollapalooza BR.

“Existem questões pessoais que precisam ser atendidas, possibilidades profissionais que precisam ser contempladas e necessidades artísticas que nos levam à caminhos distintos.” – Matanza e MTZ Produções

Jimmy London é o vocalista da banda Matanza

Surgida do underground carioca, a forma inusitada de como fez seu hardcore adaptando referencias de country rock, punk e heavy metal com toda aquela atmosfera alcoólica fez com que se destacasse na cena.

O que entristece é que essa baixa para o rock nacional alegra roqueiros adeptos do que chamo de “Dadodollabellalização”, que insistem em dizer que a banda traiu o movimento rendendo-se ao que mainstream oferece. Muito pelo contrário, a Matanza sobreviveu no independente e hoje goza da merecida popularidade. Sempre caminhou sozinha, solidificou seu nome no cenário nacional e até criou o próprio festival – o Matanza Fest – dando oportunidades para bandas novas no underground tocarem para o seu público que mantinha os shows lotados.

A banda cumprirá toda a agenda de shows como a turnê de despedida que vai até outubro deste ano.

EGO KILL TALENT FEZ BONITO NO MARACA

Atendendo a um pedido do fã clube Foo Fighters Brasil, a produção convocou a Ego Kill Talent para esquentar o palco do Foo Fighters em seus cinco shows pelo Brasil. No Maracanã, o quinteto teve que “se virar nos 30” para dar ao público sedento por rock o que eles mais queriam em uma apresentação curtinha. O setlist trouxe faixas do disco de estreia, um álbum homônimo lançado no ano passado, como Just To Call You Mine, Still Here, Sublimated e Last Ride – faixa que ganhou clipe gravado no deserto do Atacama, no Chile.

Os caras da Ego Kill Talent fizeram uma performance de peso, segura, sincronizada e incansável, em que era possível ver a alegria e a emoção estampada na cara dos músicos por serem muito bem recebidos pelo público, com fãs espalhados por diversos pontos do estádio. Teve quem os viu pela primeira vez. Certamente, o quinteto conseguiu causar a melhor primeira impressão que uma banda de abertura poderia fazer, firmando mais uma vez a ideia de que estão entre as maiores apostas do que chamamos de nova safra do rock nacional.

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Fotos por Helson Luiz Trindade

PLUTÃO JÁ FOI PLANETA NO LOLLA BR 2018

A Plutão Já Foi Planeta é uma das bandas da cena autoral de Natal, no Rio Grande do Norte. Formada em 2013, o quinteto de indie pop ganhou projeção nacional ao participar do programa Superstar, da TV Globo, em 2016. Na oportunidade, o grupo apresentou faixas do seu primeiro EP, Daqui Pra Lá (2014).

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A banda Potiguar no programa Superstar (Foto: Reprodução)

No decorrer do programa, além de covers, a Plutão Já Foi Planeta também mostrou faixas que entrariam para o primeiro disco, A Última Palavra Feche a Porta (2017). Entre as canções estavam Post-it, Me Leve e O Ficar E O Ir Da Gente, que contribuíram para que a banda potiguar chegasse ao segundo lugar na final da competição.

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Capa do disco lançado em março de 2017 pela Slap.

Escalada para a edição brasileira do festival Lollapalooza deste ano que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, a banda potiguar ainda trabalha seu disco “A Última Palavra Feche a Porta” (2017), marcado por referências fortíssimas do indie rock com toda a delicadeza da voz de Natália Noronha – alternando em algumas faixas com Gustavo Arruda -, em poesias criadas a partir de situações corriqueiras como, por exemplo, uma paquera em mesa de bar em meio a Copa do Mundo.

Em seu mais recente álbum, a Plutão Já Foi Planeta apostou forte nos sintetizadores, em uma bela harmonia para canções muito bem trabalhadas, como é o caso de Insone e Duas, que contaram com as participações especiais de Liniker e Maria Gadú, respectivamente.

Edição: Michel Pozzebon

EGO KILL TALENT ABRE OS SHOWS DO FOO FIGHTERS NO BRASIL

O supergrupo paulistano Ego Kill Talent pegou a responsabilidade de abrir os cinco show do Foo Fighters + Queens of the Stone Age no Brasil em 2018.

Seu primeiro e excelente disco de entrada, um homônimo e com produção assinada por Steve Evetts (The Cure, Sepultura) lançado no começo desse ano traz referencias ao hard rock, stoner e metal dos anos 90 com grooves e guitarras à todo vapor, vocal potente em versos em inglês onde todos os integrantes participam das composições,  letras sobre sentimento de posse, necessidades humanas, mágoas e diversos outros temas, em um rock pesado e encorpado, moderno, técnico, criativo e fácil de digerir.

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Capa do disco Ego Kill Talent (2017)

Formada em 2014 por Jean Dolabella (bateria e guitarra), Jonathan Correa (vocal), Raphael Miranda (bateria e baixo), Niper Boaventura (guitarra e baixo) e Theo Van Der Loo (guitarra e baixo), que são músicos bem experientes e ex-membros de bandas como Reação em Cadeia, Sayowa, Diesel/Udora e Sepultura e, para quem já passou por palcos como Planeta Atlântida, Lollapalooza Brasil, Maximus Festival, a edição francesa do Download Fest – esta, ao lado de bandas como Slayer, Rancid, Green Day e System Of A Down e as brasileiras Far From Alaska e Project Black Pantera – e essa última edição do Rock in Rio, segurando muito bem a abertura do palco Sunset no dia 24 de setembro, sempre com performances muito boas, encarar mais esse desafio vai ser a maior “moleza”. Então, cheguem cedo!

Edição: Michel Pozzebon

CANTO CEGO LANÇA CLIPE DE ZÉ DO CAROÇO

A música Zé do Caroço, um clássico do samba eternizado na voz de Leci Brandão, ganhou uma versão roqueira. A Canto Cego, banda carioca que leva para seus shows uma poesia e um rock um tanto quanto aflitos, fez a releitura mesclando muito peso e lirismo de um jeito ímpar. A canção original completa 40 anos e, apesar do tempo, impressiona pelo fato da letra ainda soar atual.

Presente em “Valente” (2017), disco de estreia da Canto Cego, a faixa Zé do Caroço ganhou recentemente um clipe. O vídeo retrata o dia a dia comum de moradores nas favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro, exaltando pontos positivos, passando uma visão esperançosa em meio ao caos na Cidade que “aos trancos e barrancos” ainda merece o título de Maravilhosa.

O clipe conta com as participações especiais de artistas, ativistas e líderes sociais do Complexo do Alemão, Bangu e Nova Iguaçu, além da própria Leci.

Surgida na comunidade da Maré em 2010 e a Canto Cego se firmou no underground. Muito requisitada, passou por palcos como Circo Voador, Imperator, Teatro Rival e já teve a chance de levar seu som para fora graças à participação no Festival de Jazz de Montreux (2015), na Suíça, onde fizeram uma pequena turnê; além de passagens no Planeta Rock (2014) e a conquista do primeiro lugar no Festival da Nova Música Brasileira (2012).

Edição: Michel Pozzebon

RESENHA: SELVAGENS A PROCURA DE LEI, VIVENDO DO ÓCIO E DROPS 96 NO TEATRO ODISSÉIA

Fomentar o rock nacional. Nessa levada, o Teatro Odisseia, no Rio de Janeiro, recebeu no dia 30 de abril uma espécie de festival. A casa de shows da Lapa foi o palco para as apresentações de bandas como Selvagens À Procura de Lei, Vivendo do Ócio, Drops96 e Divisa.

A banda convidada Divisa abriu os trabalhos no palco com muita energia apresentando canções do seu EP “(Auto)retrato”, lançado em agosto de 2016 com um pop rock delicado e envolvente, somado à covers de The Killers e Kings Of Leon.

E o palco ficou pequeno para a Drops96, com um show que fluiu da melhor maneira possível. Com cinco integrantes fazendo um rock que não pode ser definido. Mas, nota-se um pop rock pesado influenciado por guitarras de bandas nu-metal e post hardcore com atitude, presença e a sintonia que vem desde à época do colégio, quando a banda começou.

O vocalista Fabio Vallente pegou o público de surpresa ao anunciar o fim da banda, sendo este o último show. A tal despedida trouxe no setlist músicas do mais recente álbum “Busque Mais Vida” (2016) – assim como os dois primeiros trabalhos do grupo, o disco foi lançado por meio de financiamento coletivo – e por pouco não ficou de fora o maior hit “Volta Pra Mim” do primeiro disco, fechando o show a pedido dos fãs.

Os veteranos da Vivendo do Ócio já estiveram diversas vezes por aqui desde o sucesso do primeiro disco “Nem Sempre Tão Normal” (2008), quando ganharam o prêmio de Banda Revelação no VMB em 2009. Depois de estourarem com seu indie rock, a banda aposta agora em um uma sonoridade mais nacional e regional de forma nostálgica e saudosista, tal qual o disco “Selva Mundo” (2015), também lançado via crowdfunding.

“Nostalgia”, “Fora Mônica”, “Rock Pub Baby”, “Prisoneiro do Futuro” e até a delicada “Carranca” entraram para o setlist, que trouxe os hits dos três discos da Vivendo do Ócio.

A Selvagens à Procura de Lei fez os show mais animado da noite! No repertório, músicas do começo da carreira e do mais recente disco da banda, “Praieiro” (2016) – álbum responsável por mudar o rumo do grupo cearense para uma sonoridade mais tropical, com guitarras suingadas, reggae e o sotaque marcante de sempre.

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Em tempo, o evento demonstrou que a atual cena do rock nacional segue firme, forte e respirando, com bandas que merecem o seu apoio, respeito e admiração. Vida longa!